Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de abril de 2015

Uma experiência literária renovadora



Por Júlia Martins

Mil Tsurus é um dos títulos menos conhecidos de Yasunari Kawabata, mas sinceramente me interessei pelo nome e a sinopse me pareceu interessante, então decidi começar minhas leituras desse escritor japonês tão renomado por esse livro. Essa é a história de um rapaz japonês, Kikuji, que aceita o convite de uma ex-amante de seu pai, Chikako Kurimoto, para participar de uma cerimônia de chá.

Lá encontra uma outra ex-amante de seu pai, a viúva Ota, e acaba se envolvendo com essa mulher mais madura, enquanto Chikako tenta arranjar um casamento de Kikuji com uma jovem de boa família e se intromete bastante em sua vida.

Cerimônia do chá japonesa (Foto: Margaretpage.com)
O mais interessante do livro não é a história em si, mas a apresentação que Kawabata nos faz de uma das mais antigas tradições japonesas, a cerimônia do chá. Ele nos mostra toda a importância social desses eventos, como funciona o ritual e a importância das peças utilizadas para servir o chá.

O que mais me encantou foi a sutileza dos detalhes envolvendo os elementos da cerimônia, em particular as cerâmicas utilizadas pelas famílias, e a forma delicada com que ele demonstra os sentimentos de seus personagens por meio da relação com as cerâmicas empregadas no ritual. O livro, para nós do ocidente, parece estar em outro ritmo, mais lento e minucioso, o qual me trouxe uma experiência de leitura nova, renovadora.

Para mim, que tenho um grande interesse na cultura japonesa, o livro foi muito enriquecedor e só aumentou meu interesse nessa cultura milenar, que tem tanto a nos ensinar. Minha vontade é comprar toda a coleção dos livros lançados de Kawabata no Brasil e imergir mais profundamente nesse outro mundo fascinante.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Cinema em foco



Pela primeira vez fui a Mostra de Cinema de Tiradentes (MG). Sobre o chão histórico brasileiro, grandes telas foram erguidas. Não consegui ver muita coisa, afinal só aproveitei o último dia. Dois longas foram o suficiente para sentir o clima do evento, entender a proposta e admirar a organização e a estrutura empreendidas. Toda a programação foi gratuita.

"Dois casamentos" foca nos devaneios de duas noivas prestes a concretizar o matrimônio
“Dois casamentos”, de Luis Rosemberg Filho, aborda a história de duas noivas aguardando, numa antesala da igreja, serem chamadas para se casarem. Enquanto isso, elas refletem sobre suas vidas. O filme foi bem produzido e bem atuado, mas o tom de “monólogo”, sem movimento, sem mudança de espaço, fizeram com que os 71min parecessem intermináveis. Nota 7.

Drama de uma típica família brasileira é abordado em "Ela volta na quinta"
“Ela volta na quinta”, de André Novais de Oliveira, foi o filme escolhido para encerrar a Mostra. Neste longa, o diretor também atua junto com sua família. E é sobre ela que a trama gira. Belo Horizonte é a cidade onde foi feita a ambientação. Particularmente não gostei muito. Achei simples demais, superficial. Dramas profundos não foram mostrados e sim fragmentos de uma típica família brasileira pobre. Nota 4.

Recomendo o evento para todos os amantes da sétima arte. A oportunidade também é perfeita para explorar a cidade com todas as suas comidas, belezas, artesanatos e clima.

Sobre o festival
O maior evento do cinema brasileiro contemporâneo - a Mostra de Cinema de Tiradentes - chegou a sua 18ª edição, de 23 a 31 de janeiro de 2015, apresentando ao público a diversidade da produção cinematográfica brasileira. Uma trajetória rica e abrangente que ocupa espaço de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

Foram mais de 100 filmes brasileiros em pré-estreias mundiais e nacionais e, ainda, reúne todas as manifestações da arte no cenário da barroca Tiradentes. Homenagens, oficinas, debates, seminário, exposições, lançamento de livros, teatro de rua, shows musicais, performance, encontros e diálogos, atrações artísticas numa programação cultural abrangente oferecida gratuitamente ao público.

A pluralidade de conteúdos audiovisuais advindos das mais diversas fontes expressa a programação desta edição que reafirma o compromisso com o cinema brasileiro, com a sociedade que o origina, com as representatividades políticas, com as mudanças, influências e tendências do audiovisual.

Com informações site da Mostra.