terça-feira, 23 de junho de 2015

Best-seller nipônico



Um grito de amor do centro do mundo, de Kyoichi Katayama, é um livro com mais 3,5 milhões de cópias vendidas no Japão. A temática, permeada pela morte, é sobre o amor do jovem Sakutarô e da bela Aki. A obra tem a ordem cronológica entremeada por pensamentos e lembranças, com a narração do garoto. Aki, no começo da história, já está morta, vítima de leucemia.

A relação do casal passa pela inocência infantil, o primeiro beijo e os desejos sexuais. Tudo é construído com a intimidade que nasce da união dos dois. Mas essa história tem curta duração, e os passeios, risadas e beijos são substituídos pela dura rotina hospitalar.

Esse é um romance emocionante altamente recomendado. Mas um ponto importante para a leitura é não colocar expectativas. Ele não muda a vida, nem oferece nada além do básico a que se propõe, mas isto é feito com maestria. Nota 8.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Tecnologia e terrorismo em mangás



A trilogia Prophecy, do mangaká Tetsuya Tsutsui, aborda os atos terroristas virtuais impostos “homem jornal”, autodenominação do grupo formado por quatro japoneses. Eles atuam como justiceiros da internet, cometendo crimes contra pessoas as quais cometeram ações desprezíveis (seja por infantilidade, preconceito ou valores distorcidos) e comentaram online sobre isso.

O nome do grupo provém do fato do justiceiro de cada ato estar encapuzado com um jornal, escondendo sua identidade. As transmissões das crueldades, em vídeo, são ao vivo em um fórum anônimo e o jornal que esconde a face do executor tem a data do dia. Há também um anúncio em vídeo no sai anterior.

O grupo se conheceu em uma empreitada de trabalhadores sem relação assalariada, e pretende chamar a atenção da mídia devido à morte de um quinto amigo, falecido (não posso contar mais porque o resto é spoiler).

Paralelo às ações do grupo, são apresentados os investigadores do departamento de polícia contra crimes cibernéticos, liderados pela subdelegada Érika Yoshino.

É um mangá diferente, sem as tradicionais lutas, superação e humor japonês presente em outras obras que acompanho. É atual. Foi uma boa e curta experiência, já que são só três volumes. Há algumas incoerências e inconsistências, sendo que o final me deu a sensação de que a trama não foi bem amarrada. Nota 7.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Novos escritores


Por Júlia Martins
Há pouco tempo, li um livro um pouco diferente das minhas leituras habituais. Ganhei um exemplar de Cartas para Palavra, obra de um novo escritor mineiro chamado Adriano Gilberti. Na verdade, o livro é parte de um projeto maior transmidiático, o qual envolve também as plataformas de websérie e site. Assumo aqui que dei uma olhada no site, mas não me chamou muito a atenção, portanto vou falar exclusivamente do livro.

Apesar de algumas falhas de edição, o livro me surpreendeu positivamente. A história, muito diferente de tudo que já li, é sobre a divulgação de um conjunto de cartas de um escritor de nossa época que pouco conhecido e visto no futuro como importante, foi enviado por pesquisadores daquela época para que tivéssemos a oportunidade de lê-lo agora. As cartas são mescladas com informações coletadas sobre a vida desse escritor e também sobre outras pessoas importantes para ele.

Achei a proposta bem inovadora, pois ficção científica não é uma área da literatura muito frequentada por escritores brasileiros, e também por misturar os gêneros carta, poesia, romance, ficção científica e um toque de mistério. 

Um aspecto muito bacana na leitura é a forma como os coordenadores desse projeto do futuro fazem parte da história. Esses personagens têm voz por meio das notas de rodapé, trazendo um pouco de como esse futuro é vislumbrado pelo autor e das opiniões sobre a nossa forma de vida atual, muitas vezes fazem crítica ou demonstram nem entender as posturas dos personagens do início do século XXI.

Em minha opinião, Adriano Gilberti está no caminho certo, seu livro é bem escrito, tem força narrativa e apresenta uma história complexa para um escritor iniciante. Apenas achei desnecessário, até pela qualidade da obra, a carta que ele deixa no final, um artifício que não me atrai como leitora e decepcionou pelo conteúdo.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O desejo destruidor



 
O romance juvenil Lenora, da brasileira Heloísa Prieto, tem a música como pano de fundo. A criação de uma banda de rock, Triaprima, formada por três amigos, é responsável por mudar completamente a vida dos jovens com o sucesso repentino. Duda e Ian conheceram Lenora em Rio Vermelho (SC), no reveillon de 1970, onde a sintonia musical os uniu. A banda segue por dois anos, interrompida por uma fatalidade.

Ian, neto de irlandeses, acreditava no poder místico e sobrenatural da música, por isso desejou, enquanto tocava uma canção celta, um amor louco e forte que o fizesse morrer, enquanto seu amigo desejou sucesso, dinheiro e mulheres. Os desejos se realizam e o grupo fica devastado.

Paralela a esta história, no ano de 2006, em São Paulo (SP), outra Lenora, cujo nome foi inspirado na vocalista da Triaprima, ganha lugar na trama. Ela possui elementos que ligam sua história a dos integrantes. A jovem paulista somente encontrará resposta para seus questionamentos sobre a vida após um encontro com Duda, o único sobrevivente do grupo.

O principal ponto positivo da história é a crítica sobre os efeitos negativos da fama, da exposição, do assédio e do poder do dinheiro. O choque entre gerações também é notável. Não gostei dos efeitos sobrenaturais que foram fracos e mal construídos, além de muitos erros passados sem uma preciosa revisão. Nota 7.

Triaprima
É a junção dos elementos mágicos na alquimia: a arte, o amor e a palavra. Significa o momento em que as forças espirituais criam um estado de intensa criatividade.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O rei dos detetives e o vale do terror



O vale do terror, de Sir Arthur Conan Doyle, é uma aventura protagonizada pelo detetive mais famoso do mundo, Sherlock Holmes. A história foi publicada pela primeira vez na Strand Magazine, entre setembro de 1914 e maio de 1915, na forma de folhetim e perpetuou nos séculos seguintes. 

Após uma mensagem enigmática sobre um possível assassinato, nosso investigador recebe a confirmação de que ele foi consumado. Muitas pistas e suspeitos, com desfecho surpreendente, embora essa seja só a primeira parte do mistério.

O primeiro crime, ao ser analisado, nos leva direto ao Vale Vermissa, nos EUA, onde uma sociedade secreta, os maçons da Ordem dos Homens Livres, tinha controle absoluto da mineração local, cobrando altos impostos das indústrias exploradoras. Eles não mediam esforços para eliminar qualquer um que se pusesse em seu caminho. Até a polícia temia o grupo. A situação só muda com um visitante inesperado no vale e seu plano de reverter o quadro local.

Um crime está intrinsecamente ligado ao outro. A solução de um tem base histórica no outro. Um romance que encaixa perfeitamente os elementos de suspense, mistério e ação, à altura da inteligência de Holmes. O professor Moriarty, grande rival do detetive, tem espaço na trama, citado por seu vasto poder. Nota 9.