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sábado, 16 de janeiro de 2016

Desafio: Calendário literário

Mais um desafio! Estou participando de três projetos literários este ano. O intuito é, além de ler mais, testar se consigo mais disciplina por meio das propostas. O Vitor Martins, com uma proposta bem criativa e interessante, desenvolveu o Calendário ilustrado 2016, o qual você pode baixar gratuitamente aqui. A cada mês, um desafio diferente. Para essa proposta utilizei obras que já tinha na estante. Segue vídeo explicativo:

Minhas escolhas
Janeiro - Comece uma série: O guia do mochileiro das galáxias / Douglas Adams
Fevereiro - Livro que virou filme: Cotoco / John van de Ruit
Março - Livro escrito por uma mulher: O clube mefisto / Tess Gerritsen
Abril - Livro nacional: De gênio e louco todo mundo tem um pouco / Augusto Cury
Maio: Livro infantil: Diário de um adolescente hipocondríaco / Aidan Macfarlane e Ann Mcpherson
Junho - Romance: Capitães de areia / Jorge Amado
Julho - Livro com mais de 500 páginas: Shantaram / Gregory David Roberts
Agosto - Livro clássico: O cortiço / Aluísio de Azevedo
Setembro - Ficção científica: Fahrenheit 451 / Ray Bradbury
Outubro - Livro de terror ou suspense: O exorcista / Willian Peter Blatty
Novembro - Autor que nunca li: Elogio de madrasta / Mario Vargas Llosa
Dezembro - Livro que ganhei de presente: Misery / Stephen King


Além desse desafio, também estou participando do Livrada! 2016 e do projeto Um contopor dia.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Melhores livros de 2015


Por Júlia Martins

Como boa leitora e seguidora de alguns blogs, revistas e sites, adoro as listas de final de ano com os melhores livros. Por isso, vou fazer a minha também. Para a seleção, consultei minhas anotações feitas durante o ano, nas quais atribuo uma pontuação subjetiva dos livros que li. 

Este ano li 39 livros e aqui faço um parêntesis: A mão esquerda da escuridão, de Ursula Le Guin, é o responsável por eu não arredondar para o número botininho e imponente dos 40, pois estou tendo dificuldades para ler esse livro sem tirar sérios cochilos num panorama máximo de dez páginas. 

Lembrando que não são livros publicados neste ano, mas os livros que eu li. Na minha lista tem oito livros que dei nota máxima, e selecionei mais dois que bateram na trave, fechando os dez melhores de 2015:

10) A primeira história do mundo - Alberto Mussa
Essa já tem resenha no site, olha aqui!

9) A vítima silenciosa - Otto Lara Resende
Um livro que parece minha avó contando suas memórias de infância num interior bucólico, onde a simplicidade da vida e a inocência da criança que narra tornam esse livro apaixonante e delicado.

8) Cartas extraordinárias - Shaun Usher (Organização)
O nome diz tudo, cartas extraordinárias de histórias que encantam, fascinam, assustam, rememoram, ensinam, emocionam, alegram, entristecem, enfim, é um livro que nos traz um pouco de tudo em forma de cartas.

7) Do inferno - Alan Moore
Depois que li esse livro, virei fã de Alan Moore. Uma retomada histórica excepcional e um belo trabalho ficcional nas lacunas, vejam meus comentários neste post!

6) As Coisas - Georges Perec
Também escrevi sobre esse livro atualíssimo do francês Georges Perec aqui!

5) Três Sombras - Ciryl Pedrosa
Do meu ponto de vista, essa história é uma parábola linda sobre a inevitabilidade das perdas. Um dos melhores quadrinhos que já li, se não for o melhor.

4) Do amor e outros demônios - Gabriel Garcia Marquez
Gabriel Garcia Marquez é sempre certeza de boa leitura, minhas impressões ficaram registradas neste post!

3) Meus documentos - Alejandro Zambra
Li esse livro durante minha viagem ao Chile e foi uma das melhores experiências que já tive com leitura, já que o livro do Zambra quase todo se passa pelos ambientes do país, no qual se torna ele também um personagem. São contos que contam histórias que parecem ser de amigos e familiares.

2) Equador - Miguel Souza Tavares
Definitivamente uma história muito bem contada, para aqueles que amam ler e para os que não amam também, de não querer largar o livro. Vejam aqui!

1) O sol é para todos - Harper Lee
Com certeza um dos melhores livros que já li, não sei por que não fiz resenha, mas acho que é difícil descrever um livro quando criamos uma ligação com ele. Uma história para refletir sobre a crueldade dos preconceitos.

Faço também menção honrosa para: O brilho do amanhã, de Ishmael Beah; Lina Meruane com seu Sangue no olho; e Oblómov de Ivan Gontcharov. Foi difícil deixar eles de fora da lista.

Bem, essa é a minha lista, e qual é a sua?

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Hora da TAG: Como eu leio



Hoje vim aqui para responder mais uma TAG. A primeira pessoa que vi respondendo foi a Tatiana Feltrin, do canal Tiny Little Things. Copiei as perguntas do blog Estante da Nine, aqui.
Achei legal essa série de perguntas sobre nossa relação com a leitura, como descobrimos novos livros para ler e como o nosso gosto foi mudando ao longo do tempo. Vamos lá!

Perguntas:

Como você descobre sobre novos livros para ler?
Livro que me despertou o hábito da leitura
Indicação de vlogueiros que sigo, lançamentos de editoras que gosto, promoções em bienais, livros citados em outros livros, além de temas e autores os quais me interesso por tudo lançado.

Como você entrou nesse mundo da leitura?
Foi na 4ª série após a leitura de um livro sobre dois amigos, uma máquina do tempo e a Era dos dinossauros (creio que o livro era No tempo dos dinossauros, de Álvaro Cardoso Gomes). Li muito rápido e descobri como a leitura instiga a criatividade e possibilita muitas sensações. Após isso comecei a adorar as bibliotecas. Viciei nas séries e autores: Vaga-Lume, Monteiro Lobato, Harry Potter, Para Gostar de Ler, Sinal Aberto, João Carlos Marinho, Agatha Christie etc.

Como o seu gosto literário mudou com o passar do tempo?
Fui passando dos juvenis para os clássicos e dos clássicos para os livros reportagem. Hoje tenho um gosto variado. Tenho mais certeza do que não gosto (autoajuda, poesia [estou tentando insistir], best-seller sem temas relevantes) do que eu gosto. Apesar disso, tenho a regra de ler tudo o que ganho e compro; por isso a minha estante está cheia de livros por ler.

Com que frequência você compra livros?

Atualmente essa freqüência é baixa. Cerca de dez a doze livros por ano, aproveitando promoções e eventos literários. Tenho muitos livros não lidos em casa.

Como você entrou nesse mundo dos Canais/Blogs Literários?
Gosto de escrever sobre o que leio, compartilhar minhas impressões e pesquisar cada detalhe do livro. Após a leitura de Misto-quente, do Bukowski, não entendi a relação da capa da edição da L&PM Pocket com a história. Não se encaixava a cena ao texto e vagamente ao contexto. Pesquisando, descobri o canal Lido Lendo, onde a Isa falava sobre o livro. A partir daí descobri uma série de canais e blogs, os quais passei a acompanhar deste então.
Como você reage quando não gosta do final de um livro?
Fico um tempo deitado pensando em como o autor conseguiu estragar a história e em como ela poderia ter sido diferente, no meu gosto, claro. 

Com que frequência você espia a última página do livro pra ver o que acontece no final?
Sempre. Tinha mania de antes de começar a leitura sempre ler a última frase do livro. Consegui mudar isso, agora só faço às vezes. Embora, constantemente eu vá ao final para calcular quantas páginas faltam para o livro acabar.

Quem você vai marcar pra responder essa TAG?
Ninguém! Acho que todo o mundo já respondeu.

Se você quer conferir minhas respostas para a TAG Livros Young Adult (YA), clique aqui.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Oblomov: um convite à literatura russa

Por Júlia Martins

 
Esta história de que literatura russa é difícil é balela, conversa de quem nunca leu. Nomes como Dostoiévski, Turguêniev, Leskov, Tolstói, Tchecov, entre outros, parecem muito intimidadores a princípio, mas são leituras prazerosas. Uma escrita direta, sem muitos floreios, mas que tratam a fundo a natureza humana, seus tormentos e sonhos.

Neste mês, li um livro de um autor russo que ainda não conhecia, Gontcharov – mais uma grata surpresa dessa turma de grandes escritores russos. Oblomov, calhamaço de 700 páginas, narra a história do personagem homônimo, um aristocrata que vive da renda de suas terras. O livro é uma sátira do estilo de vida desses ricos senhores, os quais viviam à custa dos famosos mujiques, um sistema onde quem tinha terras podia também ter direito a “almas”, um sistema de servidão.

Oblomov é um personagem perturbante para aqueles que correm atrás de seus sonhos, pessoas de garra e força de vontade. Afinal, isso é tudo que Oblomov não é. Vive praticamente deitado na cama e no sofá, não é capaz de resolver até os problemas mais essenciais, como decidir onde viver ou como escrever uma carta para o administrador de seus negócios, e por isso acaba se vendo nas garras de grandes vigaristas.

Oblomov antigo e atual (Ilustração: The New York Times)
Nosso herói, um homem de bom coração, apaixona-se então por uma moça apresentada por seu melhor amigo, e tudo começa a mudar. O mestre da inação passa a ter mais energia para as atividades sociais e até mesmo com seus cuidados pessoais, mas até que ponto o amor é capaz de mudar uma pessoa?

Um grande livro, considerado um clássico da literatura mundial, mas ainda pouco conhecido, em outro projeto primoroso da Cosac (pessoas que leem esse blog devem achar que ganho alguma coisa da editora, mas é só admiração pelo grande trabalho executado por eles mesmo) que vale fazer parte da biblioteca pessoal de todos.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Boccaccio, o italiano nordestino



 Por Júlia Martins

Acho que muita gente pensa como eu pensava antes de ler Decameron: “Nossa, esse livro deve ser muito difícil, é só para os 'super cabeças', ou estudos de escola”. A verdade está longe dessa descrição. Esse livro do século XIV é na verdade uma grande contação de histórias simples que vêm da tradição oral, narradas por sete damas e três cavalheiros durante um período de reclusão do grupo que estava fugindo da peste. 

Ilustração Wikipédia
Na seleção que li são apenas dez histórias, enquanto o livro completo possui cem, dez de cada um dos narradores que vão se intercalando em dez jornadas. Para ser sincera, gostei dessa edição da Cosac, pois já dá um panorama interessante das narrações e não fica maçante. Quase todas as narrativas são muito engraçadas e têm forte apelo sexual, me fizeram lembrar muito a literatura de cordel e os causos que escutamos no nordeste brasileiro. Apesar de não serem em forma de verso, fiquei surpresa com a proximidade dos temas e da linguagem acessível entre culturas tão distintas e separadas por mais de seis séculos.

Decameron é um livro que intimida pelo nome, mas é fácil de ler, engraçado e faz um bom retrato das histórias típicas europeias do século XIV. Recomendo a edição da Cosac que tem ilustrações lindísimas, traz uma seleção com alguns dos contos mais conhecidos e um pouco do panorama histórico da época em que o autor, Boccaccio, viveu e escreveu.