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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Velhos, novos, putas tristes e o amor



Memórias de minhas putas tristes, de Gabriel García Márquez, trata sobre a vida e sobre o amor, este podendo ser descoberto, e elevado a última potência, mesmo após os 90 anos. O protagonista é um jornalista e crítico das artes colombiano. Como presente de aniversário, ele decide se dar uma noite de amor louco com uma adolescente virgem de 14 anos. Tudo é preparado pela cafetina e velha conhecida Rosa Cabarcas, mas as coisas não saem exatamente como planejado. Ao invés disso, nasce uma paixão e, junto a ela, a descoberta do sentimento amoroso, negligenciado pelo protagonista por toda a sua existência (quase um século).

O livro contém a escrita fluida e leve do Gabo, com a intensidade capaz de nos tirar da zona de conforto. Pensamos na vida e no que ela é capaz de fazer conosco – ou o que somos capazes de fazer com ela. Deparamos-nos com uma reflexão sobre escolhas, amadurecimento e envelhecimento, deixando claro que nunca é tarde para descobrirmos os prazeres que acompanham a felicidade. Também nos deparamos com o poder do amor, o qual nenhum de nós está imune dos seus efeitos colaterais, incluindo atitudes impensadas e bobas.

A lucidez do protagonista é invejável. Sua capacidade intelectual, mesmo que desvalorizada, o mantém ativo mesmo após tanto tempo de trabalho. Sua vida sempre foi conturbada com relações sexuais com prostitutas sem amor, motivo que dá nome à obra. Descobrimos que antes da morte para tudo tem jeito ou possibilidade de mudança.

Mesmo com um tema delicado como a prostituição de menores o livro não pende para a problematização negativa. Os sublimes sentimentos põem essa questão em segundo plano. Nota 10.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Delírios cotidianos de uma vida marginal





A perfeita combinação de quadrinhos com o trabalho do velho safado. O quadrinista alemão Matthias Schultheiss teve inspiração em sete contos, com marcas autobiográficas, de Charles Bukowski: Dois bêbados; Kid Foguete no matadouro; Os assassinos; A puta de 135 quilos; Mamãe bunduda; Henry Beckett; N. York, 95 cents ao dia; e Um trabalho em New Orleans. O resultado foi uma obra fluida, de leitura rápida, com o humor cru típico do escritor.

Trecho de Kid Foguete no matadouro
Sexo, miséria, bebedeiras, prostituição, drogas e aversão ao trabalho são os temas tratados nessas histórias. Para quem não conhece nada sobre o escritor, essa é uma ótima oportunidade de iniciação ao seu trabalho. Será possível ter um panorama geral da escrita. Por outro lado, para quem já o conhece, é um livro enriquecedor, bem selecionado e bem feito. Os traços são “jogados”, sem apelar para o detalhe e o capricho milimétrico, mas acredito que isso não é um problema, já que com a temática abordada, esse fato até cai bem.

Há o contato com as pessoas marginais, assim como o autor, das grandes cidades, tais como prostitutas e vagabundos. Pessoas sem muita expectativa na vida, querem só beber e se drogar. É importante ler algo sobre essa perspectiva. Ver o ponto de vista do diferente, daqueles que estão do outro lado. Como são suas vidas e pensamentos. O que fazem e o que esperam do mundo. É uma experiência antropológica. Nota 9.

Sobre Charles Bukowski
A editora L&PM expressou bem o estilo literário do escritor. Sua literatura é de caráter extremamente autobiográfico, e nela abundam temas e personagens marginais, como prostitutas, sexo, alcoolismo, ressacas, corridas de cavalos, pessoas miseráveis e experiências escatológicas. De estilo extremamente livre e imediatista, na obra de Bukowski não transparecem demasiadas preocupações estruturais. Dotado de um senso de humor ferino, auto-irônico e cáustico, ele foi comparado a Henry Miller, Louis-Ferdinand Céline e Ernest Hemingway.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A arte de vender o corpo


Após ver o filme, eu quis acompanhar os detalhes omissos nas telonas sobre a vida da garota de programa mais famosa do país, e também a pioneira em criar um blog inusitado tratando de sua profissão. "O Doce Veneno do Escorpião" é um livro bastante íntimo e revelador com acontecimentos reais, não “mascarados”. Pude entender as verdadeiras motivações que levaram a menina adotada, do signo de escorpião, a sair da casa dos pais adotivos com 17 anos para vender o corpo.
Rachel Pacheco, a Bruna Surfistinha
O livro é regado de drogas e muito sexo de vários tipos, gêneros, números e graus. Estão paralelas as vidas da Raquel Pacheco e a de Bruna Surfistinha... a mesma pessoa, com os mesmos medos e anseios, mas que levam/encaram a vida de maneiras totalmente diferentes. Acredito que a disposição de acontecimentos ficaria mais facilitada de outra forma, mais linear, e não com idas e vindas não cronológicas.

Consegui o aprofundamento que não encontrei no filme. São explicados termos de práticas sexuais mais incomuns, o que acontece dentro das casas de swing e o declínio tanto financeiro, quanto pessoal provocado pelas drogas. Nota 5.