terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Hora da TAG: Como eu leio



Hoje vim aqui para responder mais uma TAG. A primeira pessoa que vi respondendo foi a Tatiana Feltrin, do canal Tiny Little Things. Copiei as perguntas do blog Estante da Nine, aqui.
Achei legal essa série de perguntas sobre nossa relação com a leitura, como descobrimos novos livros para ler e como o nosso gosto foi mudando ao longo do tempo. Vamos lá!

Perguntas:

Como você descobre sobre novos livros para ler?
Livro que me despertou o hábito da leitura
Indicação de vlogueiros que sigo, lançamentos de editoras que gosto, promoções em bienais, livros citados em outros livros, além de temas e autores os quais me interesso por tudo lançado.

Como você entrou nesse mundo da leitura?
Foi na 4ª série após a leitura de um livro sobre dois amigos, uma máquina do tempo e a Era dos dinossauros (creio que o livro era No tempo dos dinossauros, de Álvaro Cardoso Gomes). Li muito rápido e descobri como a leitura instiga a criatividade e possibilita muitas sensações. Após isso comecei a adorar as bibliotecas. Viciei nas séries e autores: Vaga-Lume, Monteiro Lobato, Harry Potter, Para Gostar de Ler, Sinal Aberto, João Carlos Marinho, Agatha Christie etc.

Como o seu gosto literário mudou com o passar do tempo?
Fui passando dos juvenis para os clássicos e dos clássicos para os livros reportagem. Hoje tenho um gosto variado. Tenho mais certeza do que não gosto (autoajuda, poesia [estou tentando insistir], best-seller sem temas relevantes) do que eu gosto. Apesar disso, tenho a regra de ler tudo o que ganho e compro; por isso a minha estante está cheia de livros por ler.

Com que frequência você compra livros?

Atualmente essa freqüência é baixa. Cerca de dez a doze livros por ano, aproveitando promoções e eventos literários. Tenho muitos livros não lidos em casa.

Como você entrou nesse mundo dos Canais/Blogs Literários?
Gosto de escrever sobre o que leio, compartilhar minhas impressões e pesquisar cada detalhe do livro. Após a leitura de Misto-quente, do Bukowski, não entendi a relação da capa da edição da L&PM Pocket com a história. Não se encaixava a cena ao texto e vagamente ao contexto. Pesquisando, descobri o canal Lido Lendo, onde a Isa falava sobre o livro. A partir daí descobri uma série de canais e blogs, os quais passei a acompanhar deste então.
Como você reage quando não gosta do final de um livro?
Fico um tempo deitado pensando em como o autor conseguiu estragar a história e em como ela poderia ter sido diferente, no meu gosto, claro. 

Com que frequência você espia a última página do livro pra ver o que acontece no final?
Sempre. Tinha mania de antes de começar a leitura sempre ler a última frase do livro. Consegui mudar isso, agora só faço às vezes. Embora, constantemente eu vá ao final para calcular quantas páginas faltam para o livro acabar.

Quem você vai marcar pra responder essa TAG?
Ninguém! Acho que todo o mundo já respondeu.

Se você quer conferir minhas respostas para a TAG Livros Young Adult (YA), clique aqui.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Nota para dois quadrinhos

Por Júlia Martins


Li recentemente dois livros em quadrinhos da Editora Nemo, que está lançando muita coisa bacana, vamos lá:

Bear 2
A Bianca Pinheiro já havia me encantado com Bear. Trabalhando com a ingenuidade de uma criança e falta de conhecimento de um urso sobre os seres humanos, ela criou dois personagens super carismáticos e entrosados. Nessa segunda parte ela continua roubando risadas nossas com as falas espirituosas e inocentes de Raven e a rabugice de Dimas, potencializadas nesse episódio. São ótimas também as referências que ela faz a vários personagens consagrados da cultura geral. 

PS.: Acho que a Dona Pivara é minha personagem preferida de todos os tempos.

Pílulas Azuis
Pílulas Azuis é uma história autobiográfica do autor Frederik Peeters, sobre seu relacionamento com uma mulher portadora do vírus HIV. Além de ser uma declaração de amor muito bonita, Frederik dá um tapa na cara da sociedade preconceituosa e mostra como é possível viver com uma pessoa portadora do vírus, sem se contaminar e construir uma família. 

Sem ser um clichê autopiedoso, esse livro fala de duas pessoas que se conheceram e se apaixonaram. É abordado como a doença faz parte do dia a dia dos personagens pelos perigos de contaminação e pelos preconceitos dos outros. Muito bom.

A primeira história do nosso mundo



Por Júlia Martins
Li a obra mais recente de Alberto Mussa, intitulada A Primeira História do Mundo. O livro foi finalista do Prêmio Oceanos, que até o ano passado era chamado Prêmio Portugal Telecom. Gosto de dar uma olhada nessa lista, já que grandes autores da língua portuguesa estão sempre entre a lista de finalistas, como Valter Hugo Mãe, Gonçalo Tavares entre outros.

Mussa fez jus à indicação para ficar ao lado da obra desses grandes escritores. A Primeira História do Mundo fala sobre o primeiro assassinato acontecido no Brasil, mais especificamente na vila que deu origem ao Rio de Janeiro. 

O autor se baseou em alguns documentos da época para recontar essa história, mas o que dá o charme ao livro não são os fatos históricos e sim as lendas e mitos indígenas presentes ao longo do livro para poder construir seu argumento do possível assassino. Além disso, também há outras histórias e lendas construídas no desenrolar da conquista do Brasil.

O que refleti durante a leitura foi como sabemos tão pouco da cultura indígena brasileira, um dos pilares do desenvolvimento de nossa nação. Infelizmente, hoje sei mais de outros povos originários das Américas como os incas do que os índios brasileiros, pois outros países como Chile e Peru realizam um trabalho muito bonito no desenvolvimento do turismo cultural de seus povos. 

Vejo uma falha grave na educação brasileira no que concerne à história dos povos que ocupavam o que hoje é o território brasileiro, seus costumes, sua cultura, sua identidade. Esse livro, para mim, veio como uma forma de ocupar esse vazio de nossa história. E, para completar, não é um livro chato ou maçante, como muitos reclamam da obra de José de Alencar. Muito bom!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O amargor do tomate


Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós, é uma prosa poética de cunho autobiográfico. A narração é feita por um menino que mostra como ele e os irmãos encaram a morte da mãe. Eram seis irmãos, dois já morreram no momento em que o romance é relatado. Cada um dos sobreviventes encontrou uma maneira de encarar a vida sem a mãe: o narrador sobrevive os dias com seu silêncio e seu amor interno, vivido sem transparecer. Enquanto a irmã mais velha se dedica à costura em ponto-cruz; um irmão come vidro, isso o alivia. Outro não fala, mia, e é inseparável de gato, mudo. A irmã mais nova, que veio ao mundo enquanto a mãe partia, encontrava paz no globo, objeto no qual a cada dia ela escolhia um lugar diferente para acordar, em sua imaginação.

O pai se entregou ao álcool e recomeçou a vida ao lado da madrasta. Enquanto a mãe era doce, a madrasta era amarga. Sua fúria era descontada no tomate, servido em cada refeição diária, carregado de amargor. O legume sempre foi a estrela do prato. Como uma metáfora, todos comiam o tomate indigesto, como maneira de aceitar a vida imposta pelo destino.

Pouco a pouco, cada um dos irmãos deixa a casa, a seu tempo. Esse fato é apresentado ao longo do romance como contagem regressiva, enfatizando cada despedida. É com pesar que o narrador vê a casa ficar cada vez mais vazia, enquanto as fatias do tomate ficam mais grossas. Isso perpetua até o momento de sua própria partida. O menino passa a não acreditar em Deus. Somente os livros e sua fantasia o mantém fora da realidade amarga.

Um livro curto (72 páginas), mas grande em aspectos literários e sentimentos. Nos vemos imersos na vida do menino e padecendo de suas angústias. No final, não queremos, nem estamos preparados para que o livro acabe. Ficamos com o gosto amargo do tomate na boca e o mal-estar indigesto provocado por ele. Nota 9. A edição da Cosac tem letras vermelhas enfatizando essa presença, amarga, do tomate.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Histórias singulares de pessoas comuns


O escolhido foi você, de Miranda July, reúne entrevistas da autora com pessoas comuns e reais, e por isso complexas e fascinantes, escolhidas por meio do periódico semanal gratuito de classificados PennySaver. Os que ainda resistiam à internet, mesmo em 2009, recorriam a esse meio de comunicação para anunciar objetos diversos que gostariam de se desfazer. Entre os objetos estavam um secador de cabelo muito velho, uma jaqueta de couro surrada, peças de roupa indiana, girinos e Ursinhos Carinhosos. Por trás de cada objeto estavam pessoas com histórias de vida diversas, surpreendentes e até chocantes.

A ideia por essa busca sobre como viviam essas pessoas surgiu quando Miranda escrevia o roteiro de seu filme O Futuro (2011), o qual ela também era protagonista. A autora buscava inspiração para o contato de um de seus personagens com pessoas aleatórias, batendo de porta em porta, num momento em que ele larga tudo e vai vender mudas de árvores num gesto de devoção e fé ao planeta. 

Miranda, após diversas entrevistas, começou a não ver sentido no trabalho com o PennySaver, o qual oferecia US$50 por cada entrevista. No entanto, sua última experiência foi transformadora, pessoal e profissionalmente para ela. Joe, um senhor de 81 anos, sendo casado há 62, vendia cartões que ele mesmo fazia com colagens e poemas sujos. Sua trajetória, sua paixão, sua sabedoria inspirou de tal forma, que o próprio personagem da vida real foi convidado para compor o elenco do longa-metragem.

A autora não deixa de lado sua sinceridade durante a escrita, para isso taxa alguns de seus entrevistados como feios, mal vestidos, além de relatar que jogou a salada de frutas feita pela vendedora de gatos para ela e sua equipe fora. Também, algumas memórias da vida de Miranda são relatadas no decorrer das entrevistas, como o passado em que ela tinha uma namorada, roubava e temia seu próprio futuro incerto. As entrevistas foram bem superficiais, creio que por ser muito material gravado e pouquíssimo aproveitado. Uma excelente ideia, mas não tão bem executada. Nota 8.

Assista abaixo o trailer oficial de The Future (2011):