quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Desafio Livrada! 2016



Com um novo ano, novos desafios... literários. Para 2016, decidi incorporar três à rotina (falo dos outros dois em outro post), o que já é muita coisa considerando trabalho, mestrado, vida social, séries e filmes. Quero testar se o comprometimento com metas me ajuda a aumentar a quantidade de livros lidos.

O blog Livrada!, todo o ano lança um desafio com 15 categorias de leituras, achei a ideia muito bacana e decidi entrar também na brincadeira. O tema de 2016 é “Conhece-te a ti mesmo”, o que tem tudo para proporcionar ótimas leituras. Confira vídeo do Yuri explicando o Desafio:

Atendendo aos critérios, estabeleci minha lista:
1- Um prêmio Nobel: Cem anos de solidão / Gabriel García Márquez
2- Um livro russo: Noites brancas / Fiódor Dostoiévski
3- Um cânone da literatura ocidental: Odisseia / Homero
4- Uma novela: Novelas exemplares / Miguel de Cervantes
5- Um livro que você não sabe por que tem: Marley & Eu / John Grogan
6- Um autor do seu estado: 1968 - o Ano Que não Terminou / Zuenir Ventura
7- Um livro publicado por uma editora independente: A sordidez das pequenas coisas / Alessandro Garcia (livro da Não editora)
8- Uma ficção histórica: Azincourt / Bernard Cornwell
9- Um livro maluco: Laranja mecânica / Anthony Burgess
10- Um livro que todo mundo já leu menos você: Dom Casmurro / Machado de Assis
11- Um autor elogiado por um escritor de quem você gosta: Lolita, Vladimir Nabokov (um dos livros favoritos de Jeffrey Eugenides, segundo o Flavorwire)
12- Um livro bobo: Os Goonies / James Kahn
13- Um romance de formação: O apanhador no campo de centeio / J. D. Salinger
14- Um livro esgotado: A Montanha Mágica / Thomas Mann
15- As aventuras do bom soldado Svejk

A grande maioria dos livros eu tenho ou pegarei emprestado com a Júlia. Comprarei somente: 1968 - o Ano Que não Terminou, A sordidez das pequenas coisas, Lolita, A Montanha Mágica e As aventuras do bom soldado Svejk.

A Júlia este ano decidiu não participar por ter perdido o foco do desafio dela no ano passado, o qual você pode conferir aqui.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Incursões no mundo da ficção científica



Por Júlia Martins
Não sei se pelo bom trabalho da editora Aleph, pelos lançamentos de filmes de franquias de sucesso ou refilmagens, mas o universo da ficção científica está cada dia mais popular. Assumo que não tenho muito conhecimento sobre esse gênero, mas li, há algum tempo, o livro de Philip K. Dick, Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? e adorei.

Então resolvi investir na leitura de outra autora super renomada, Ursula Le Guin, com sua obra prima A Mão Esquerda da Escuridão. Entretanto, não tive a mesma boa experiência. O livro tem bom enredo e ela faz belo trabalho na construção de um mundo onde todos os seres são andróginos. 

A história é protagonizada por Genly Ai, representante de um grupo de planetas associados, tipo uma União Europeia, chamado Ekumen. Ele é enviado para um planeta remoto e frio, chamado Gethen, mais popularmente conhecido como Inverno por suas temperaturas baixíssimas. 

Nesse planeta, Genly tem que convencer os governantes dos países a se juntarem ao Ekumen, com o objetivo de realizar troca de desenvolvimentos tecnológicos e demais conhecimentos, além de realizar transações comerciais. Contudo, como seria possível imaginar caso algo do tipo acontecesse em nosso planeta, ele enfrenta o medo e a descrença dos políticos dos países. 

Para piorar, a pessoa que mais acreditava nele e foi seu interlocutor com o presidente do país aonde chegou, foi banida do país por ser considerado um traidor. Punição recebida justamente pela sua relação próxima ao alienígena e o desconhecimento e receio das pessoas em relação aos reais motivos da chegada do forasteiro.

A partir daí, a vida do protagonista se torna complicada e ele resolve ir para o país vizinho na esperança de ter melhores chances de ser ouvido e compreendido. Mas seu objetivo fica cada vez mais distante, dado ao intrincado jogo político exercido com sua presença e poder. Por isso, Genly passa a correr sérios riscos de vida. Desse ponto para frente, o livro se torna uma grande aventura de fuga e sobrevivência, que não vou detalhar já que é o ponto alto da história.

Apesar de ser uma boa história, não foi um livro de fácil leitura para mim, não fluiu. Acho que os detalhamentos, necessários pelo ambiente ser um universo criado à parte, se tornaram muito maçantes. Um bom livro, mas não é meu estilo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Melhores livros de 2015


Por Júlia Martins

Como boa leitora e seguidora de alguns blogs, revistas e sites, adoro as listas de final de ano com os melhores livros. Por isso, vou fazer a minha também. Para a seleção, consultei minhas anotações feitas durante o ano, nas quais atribuo uma pontuação subjetiva dos livros que li. 

Este ano li 39 livros e aqui faço um parêntesis: A mão esquerda da escuridão, de Ursula Le Guin, é o responsável por eu não arredondar para o número botininho e imponente dos 40, pois estou tendo dificuldades para ler esse livro sem tirar sérios cochilos num panorama máximo de dez páginas. 

Lembrando que não são livros publicados neste ano, mas os livros que eu li. Na minha lista tem oito livros que dei nota máxima, e selecionei mais dois que bateram na trave, fechando os dez melhores de 2015:

10) A primeira história do mundo - Alberto Mussa
Essa já tem resenha no site, olha aqui!

9) A vítima silenciosa - Otto Lara Resende
Um livro que parece minha avó contando suas memórias de infância num interior bucólico, onde a simplicidade da vida e a inocência da criança que narra tornam esse livro apaixonante e delicado.

8) Cartas extraordinárias - Shaun Usher (Organização)
O nome diz tudo, cartas extraordinárias de histórias que encantam, fascinam, assustam, rememoram, ensinam, emocionam, alegram, entristecem, enfim, é um livro que nos traz um pouco de tudo em forma de cartas.

7) Do inferno - Alan Moore
Depois que li esse livro, virei fã de Alan Moore. Uma retomada histórica excepcional e um belo trabalho ficcional nas lacunas, vejam meus comentários neste post!

6) As Coisas - Georges Perec
Também escrevi sobre esse livro atualíssimo do francês Georges Perec aqui!

5) Três Sombras - Ciryl Pedrosa
Do meu ponto de vista, essa história é uma parábola linda sobre a inevitabilidade das perdas. Um dos melhores quadrinhos que já li, se não for o melhor.

4) Do amor e outros demônios - Gabriel Garcia Marquez
Gabriel Garcia Marquez é sempre certeza de boa leitura, minhas impressões ficaram registradas neste post!

3) Meus documentos - Alejandro Zambra
Li esse livro durante minha viagem ao Chile e foi uma das melhores experiências que já tive com leitura, já que o livro do Zambra quase todo se passa pelos ambientes do país, no qual se torna ele também um personagem. São contos que contam histórias que parecem ser de amigos e familiares.

2) Equador - Miguel Souza Tavares
Definitivamente uma história muito bem contada, para aqueles que amam ler e para os que não amam também, de não querer largar o livro. Vejam aqui!

1) O sol é para todos - Harper Lee
Com certeza um dos melhores livros que já li, não sei por que não fiz resenha, mas acho que é difícil descrever um livro quando criamos uma ligação com ele. Uma história para refletir sobre a crueldade dos preconceitos.

Faço também menção honrosa para: O brilho do amanhã, de Ishmael Beah; Lina Meruane com seu Sangue no olho; e Oblómov de Ivan Gontcharov. Foi difícil deixar eles de fora da lista.

Bem, essa é a minha lista, e qual é a sua?

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Asterios Polyp: mais um da nona arte



Por Júlia Martins


Para mim, Asterios Polyp não é um livro de quadrinhos, é uma obra de arte. Não sou a maior conhecedora de quadrinhos, embora nunca tivesse lido, ou visto, algo tão surpreendente e elaborado no que diz respeito ao desenho/traço.

Paleta de cores diferenciada (Fonte: NY Times)
David Mazzucchelli, autor dessa linda obra, trabalha tantos traços, formatos, cores que a obra transborda em beleza e inovação. A história também é muito bem contada: o protagonista, Asterios Polyp, um arquiteto de sucesso, relembra sua vida em meio a pesadelos com um irmão gêmeo natimorto. Um incêndio em seu apartamento o faz largar tudo.

A verdade é que eu nem tenho conhecimento para descrever a arte que nos é apresentada, mas posso garantir que foi uma experiência muito diferenciada esteticamente, sem deixar de lado a delicadeza das relações humanas que são tratadas no livro. É maravilhoso.

O brilho da literatura africana



Por Júlia Martins
Mais uma vez me encanto com um escritor africano. Eu, que já sou fã de carteirinha de Mia Couto, Ondjaki, Coetzee, entre outros, li a obra mais recente do ex-menino soldado de Serra Leoa, Ishmael Beah, intitulada O brilho do amanhã (que nome lindo, não é?).

Este livro, uma ficção, ao contrário do primeiro do autor, uma autobiografia, conta como é a vida após a guerra em um país que foi completamente devastado. Desde o desafio de retornar à terra natal, enterrar os restos mortais de seus familiares, amigos e vizinhos sem nem saber qual corpo pertence a quem, até restabelecer uma comunidade, aprender a confiar nos outros, retomar tradições e, enfim, tentar viver sem as sombras do passado.

Esse parece um caminho acolhedor, tranquilizador e, até dado momento da história, é realmente possível acreditar que o povo é capaz de se reerguer. Contudo, outras autoridades e disputas de poder logo aparecem para desestabilizar esse sistema tão fragilmente construído. Governantes e outras autoridades corruptas, grandes empresas de exploração mineral sem escrúpulos ou respeito pelo povo local são responsáveis pelo reaparecimento da violência, jogando abaixo os sonhos e a esperança desse povo tão sofrido.

Ishmael Beah (Foto: stone-thrower.com)
Permeando a história, está a presença dos anciãos da comunidade com sua tradição de contação de histórias e lendas passadas, principalmente, de mãe para filha, trazendo um tom delicado e esperançoso para o enredo e para nós leitores. Aí está o brilho do amanhã que devemos acreditar.

Beah consegue construir personagens diversos que representam boa parte das pessoas atingidas pela guerra, desde mutilados, pessoas que perderam toda a família, pessoas que se esconderam e viveram longe da sociedade por anos e, enfim, meninos e jovens soldados que tem que lidar com o remorso e a dor de seus próprios atos durante a guerra.

Sabendo do passado do escritor, é possível imaginar que ele coloque no papel um pouco desses sentimentos que teve que aprender a lidar para poder viver consigo mesmo, o que torna o relato sincero, cru e pulsante. Não há nenhum momento onde ele tente justificar ou suavizar a vida dessas pessoas, não há perdão, apenas se aprende a viver novamente.


Um livro excelente para quem ainda não conhece a literatura africana contemporânea, pois apresenta a crueldade da realidade da guerra civil, ao mesmo tempo em que nos introduz ao mundo das tradições locais, das fábulas e lendas do povo e do tom poético com que a própria língua local pincela a escrita.